quinta-feira, março 27, 2008

Viajar é preciso...

Todo surfista que se preze já viajou ou planeja viajar em busca de ondas. Isso não é regra imposta nem se aprende em um guia prático de "como ser surfista", mas é, sem dúvida, um lema insconsciente que todo surfista carrega como bagagem de vida, desde garoto.


Imagine então, você largadão com a sua gata, motorizados com o mais autêntico "carro do surf", durante dois anos viajando por um continente, sem compromisso de horários, rotinas, chefes, burocracias, etc.

Autêntica caranga do surf. Kombi/Casa pronta para qualquer aventura. Foto: Beda Batista/2B Surf.

Seria alucinante, não é mesmo?

Pois é, eu sei e tive pensamento idêntico!

Na última quarta-feira, dia 19, conheci um casal que está vivendo o sonho de qualquer surfista. Scott e Violeta Thumlert são canadenses e estão viajando pela América do Sul há 2 meses. Iniciaram no surf há pouco mais de um ano e pretendem ficar mais um mês rodando pelo Brasil. Já passaram pelo Uruguai, Peru e Chile depois do Brasil viajam para Argentina, Chile e Bolívia. Embora tenham pouco tempo de surf, são fissurados como todos que aprendem a deslizar sobre as ondas.

Os canadenses Scott e Violeta Thumlert embarcaram na viagem dos sonhos. Foto: Beda Batista/2B Surf.

Eu os conheci na Praia da Vila, num fim-de-tarde. Uma Kombi amarela com placas do Chile me chamou atenção e puxei conversa com o casal. Embora a conversa seja um misto de Português (que eles aprenderam rápido, por sinal), Espanhol e Inglês nos entendemos perfeitamente bem. Surfamos juntos num fim-de-tarde de boas ondas na Vila. Depois do banho, os convidei para se hospedarem na minha casa e tomarem um bom banho quente. Imaginem, só banho de chuveirão na praia, ninguém é de ferro, né? Eles ficaram surpresos, mas aceitaram o convite. Jantamos, assistimos alguns vídeos de surf. Os presenteei com cartazes do WCT Brasil 2006 e 2007 além de um Surf Guia, publicado pelo Máurio Borges e pelo Basílio Bosquê Ruy, que certamente será uma mão na roda para eles que vão viajar ainda um bocado pela Terra Brasilis. minhas filhas ficaram amarradonas com a visita do casal e arranharam algumas palavras em inglês. Foi divertido e parece que eles curtiram também.

Beda, Scott, Luísa e Violeta relaxando depois do surf. Foto: Simone Batista/2B Surf.

Mas o que me fez escrever esse texto foi o simples fato de lembrar que estamos perdendo alguns dos maiores valores que o surf oferece. A camaradagem, a cordialidade, a gentileza e principalmente, a receptividade. Se continuarmos assim, seremos apenas uma tribo de trogloditas. Já ouvi de vários surfistas que são hoje meus camaradas, que não é comum você ser bem recebido em picos em que você não é conhecido. Mas se você que é local, não souber ser receptivo, como irá conhecer novas pessoas, culturas e adquirir um pouco mais de conhecimento de vida. Pense nisso.

Aloha,

Beda Batista
2B Surf

8 comentários:

Maurio Borges disse...

Já dizia o velho filósofo:
É viajando que encontramos nossos pedaços pelo mundo... E por falar em viagem: Passei agora a pouco no morro e peguei um dos bons!!!Kkkkk!

E o Andy Irons, hein? Deve estar até agora esperando uma onda pra entrar no seu somatório lá e Bells... Tomou uma esculachada do Slater. Ficou mais perdido do que cachorro quando cai do caminhão de mudança. Mudança+viagem: acho que tem alguma coisa haver, ou não?... Ih, tô viajando!Kkkk

Aquele abração
Máurio

Beda Batista disse...

Grande Máurio, eta bagulho bommmmm, hein istepô???....rs....
Foi tanta viagem nesse comentário que o cachorro não encontra a casa nova de jeito nenhum...hehehe.
Agora o Andy tá precisando de um desses pra ver se acha o rumo...tá viajando legal enquanto o careca faz a mala. Dizem até que ele anda ouvindo sinos. Essa galera é F...!
Abração,

Beda.

Surf4ever disse...

Beda, que maravilha de post, cara. Vida real, a coisa acontecendo e sendo registrada, que beleza! Muito legal tu teres acolhido os viajantes. Eu já viajei por alguns lugares, na Australia fiz uma barca sozinho de carro, dormindo dentro dele e em barraca, e sei o valor que é quando alguém te convida para sua casa, nem que seja só pra tomar uma cerveja. Viajar sozinho ou em poucas pessoas é sempre melhor, facilita a receptividade, e o Scott e a Violeta devem saber disso. Que barca irada desses guerreiros canadenses! Que Deus os ilumine durante todo o trajeto, assim como vi que os iluminou aí em Imbituba. Um abraço,
Gustavo

sarita disse...

Beda, que irada essa matéria do casal gringo em uma surf trip. Concordamos contigo quando tu fala em camaradagem no surf, pois fizemos uma surf trip a pouco para Uruguay e fomos mui bien recepciondados em todos os picos que passamos. Porém em Cabo Polônio, conhecemos um Novayrquino Jonathan Rizzo, e trocamos uma idéia cm ele (na qla base, portugês, inglês e espanhol) e quando convidamos para conhecer Imbituba ele fez aqle gesto; ele soube que por aqui da Porrada !!! Triste não ?!?! Essa fama já está longe. Temos que respeitar aqui para sermos respeitados lá fora.
Parabéns pela matéria
Aloha !!!

Sarita e Gean
(ksal ImbiWave)

Beda Batista disse...

É isso aí Gustavo, já fiz algumas viagens e, realmente, é alucinante quando você é bem recebido em lugares desconhecidos.
Sem dúvidas você receber bem fortalece o espírito de camaradagem que rondava o ambiente surf de um passado recente.
Grande abraço,

Beda.

Beda Batista disse...

Fala Sarita, blz?
É triste saber que a "nossa fama" já vai tão longe. Mas temos a responsabilidade de reverter esse quadro, como um trabalho de formiguinhas. Quem sabe um dia a notícia que corra por aí é que somos ótimos anfitriões?
Aloha,

Beda.

Lucas. S. Furghestti disse...

E ai Beda, como vai? Fera a sua história e sua camaradagem com os Gringos.

Hoje em dia o localismo ta muito forte, e acabamos tendo receio em surfar em outros picos.
Cordialidade nunca é demais... Grande abraço!

Beda Batista disse...

E aí Lucas beleza? Por aqui tudo tranqüilo. Pois é, realmente anda faltando essa camaradagem entre a galera que pega onda. Mas, cada um de nós mudando os hábitos as coisas entram no trilho.

Abração,

Beda.