Quantas reflexões solitárias podem ser feitas numa sessão de surf? Foto: Reprodução Wavetoon
Quantas reflexões solitárias podem ser feitas numa sessão de surf? Foto: Reprodução Wavetoon
Icaro Cavalheiro ministra workshop em Imbituba, na 2ª etapa do Circuito Imbitubense. Foto: Site Inema.
Uma onda dessas merece um simples toco de terceira mão? Ou é preciso uma pranchinha ideal para se dar bem? Foto: Fonte desconhecida.Quanto custa o esporte?
Essa pergunta não sai da minha cabeça há muito tempo. Estive pensando muito sobre o assunto e gostaria de compartilhar alguns pontos que são relevantes para poder explicar.
No entanto, gostaria de voltar uns 20 anos no tempo e lembrar de como as coisas eram quando eu comecei a surfar. Algumas pessoas se identificarão imediatamente com os fatos que apontarei, outras, mais novas, certamente acharão graça e não terão a mínima idéia de como as coisas eram realmente.
Lembro da primeira prancha que comprei, ah como ela era linda, uma prancha da Litoral Sul, nas cores amarela e laranja. Comprada de um amigo já falecido com pagamento parcelado em algumas vezes através de um compromisso de fio de bigode, embora, eu nem tivesse ao menos sinal de bigode, pois tinha apenas 13 anos de idade. Aquela prancha era a “minha” prancha que estava pagando com o meu esforço e suor. Porém a bendita precisava de uns reparos e como eu estava fissurado para entrar na água, acabei emprestando do cunhado de outro amigo uma Surfline quebrada e remendada no meio e tão pesada quanto uma bigorna. Aquela Surfline pintada de um vermelho tosco, a fim de esconder o enorme remendo, foi a primeira experiência que tive dentro do esporte e foi nela que dropei os primeiros caixotes que quebravam na Castelinho e Araçá. Foi com esse mesmo toco que peguei a primeira parede da vida, também no Castelinho. Naquela época roupa de borracha era coisa para poucos felizardos ou abastados. No máximo uma lycra para espantar o frio causado pelo gélido vento sul no auge do inverno. E podem ter certeza, foi uma época feliz, em que curtíamos uma longa caminhada pelo caminho da granja para chegar à Praia do Porto e aproveitar aqueles finais de semana frios dos anos 80. Quantas caronas de carroça nós ganhamos e ficávamos radiantes? Apesar da demora do bichinho que a tracionava, era uma maneira de economizarmos algum trocado, energia para o surfe e para a longa volta para casa. Algumas vezes arriscávamos uma pernada até a Praia D’água a fim de conferir as ondas que víamos marchando lá fora. Geralmente pegávamos altas ondas com no máximo 05 ou 06 cabeças na água.
Para arriscar um banho na Ribanceira, aí só mesmo de monareta, caloi-cross ou barra circular (quem podia, podia) que era a “power bike” da época.
Resumindo, surfar para um garoto de 13 anos, em qualquer um dos picos acima, era uma verdadeira aventura, sem contar o frio de rachar taquara verde.
Mas foi através dessas vivências que pudemos dar valor às pequenas coisas que íamos adquirindo com muito esforço e sacrifício. Lembro da minha primeira roupa de borracha que comprei do Walter “Tate” Pacheco, um long jonh preto com amarelo, que mais parecia uma carga de algodão, depois de molhar parecia pesar uma tonelada. O zíper estava detonado e precisava usar uma segurança para fechá-lo. Eu ficava rezando para aparecer alguém quando estava entrando e saindo da água para poder abrir ou fechar a maldita segurança.
Surf Trip de 1980 à Praia do Rosa. Não era qualquer um que podia se dar ao luxo de uma barca dessas. Foto: Frame de um Super 8mm. Ângelo Possenti.
Hoje, olhando e relembrando essas pequenas coisas tenho certeza que tudo aquilo e todas aquelas roubadas em que nos metíamos valeram a pena e foram um ótimo alicerce para o espírito e para o caráter de todos que as vivenciaram.
Nesses 20 anos muita coisa mudou dentro do surfe. O esporte foi reconhecido e se expandiu pelos quatro cantos do Brasil e do mundo, mas os produtos surfwear, apesar da grande massa consumidora, continuam com preços que beiram o inacreditável, para padrões brasileiros. O que em muitos casos impossibilita às novas gerações de se aventurarem no surfe.
Senão vejamos:
Uma prancha nova não sai por menos de R$ 600,00 (seiscentos reais);
Uma capa para prancha custa no mínimo R$ 100,00 (cem reais);
Uma cordinha custa em torno de R$ 70,00;
Uma roupa de borracha (long jonh) custa no mínimo R$ 400,00.
Ou seja, se um garoto hoje quiser se iniciar no mundo do esporte deverá desembolsar, vamos arredondar para facilitar as coisas, a pequena bagatela de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais). E gostaria de ressaltar ainda, que isto é apenas para praticar o esporte. Se o garoto quiser se vestir com a moda surfwear pode preparar o bolso, pois a fatura será muito mais alta. Parece pouco? Pergunte a qualquer garoto de 14 ou 15 anos se ele dispõe dessa quantia para investir inicialmente em um esporte.
Paulo Gracindo foi o melhor intérprete da classe política com o seu imortal "Odorico Paraguaçú". Foto: Reprodução.
Jatyr Berasaluce entocado nas Maldivas. Semente do saudoso Cacá. Foto: Juan Fernández.
Malik Joyeaux num "imenso salão quebra crânio", em Teahupoo, Tahiti. Foto: XXL Billabong 2004.
Nada melhor do que um bom rock'n'roll para pôr fogo na galera a caminho do surf.
A banda Tapa na Colméia que está com o primeiro trabalho saindo do forno, acaba de divulgar o primeiro vídeo independente. Essa galera do vídeo acima é nativa da Zimba e faz um punk rock irado e descontraído. A sonoridade lembra o Ramones, não por acaso. Gene Rocker vocalista da banda é aficcionado pelo estilo musical e um dos melhores intérpretes da banda. Quem assistiu aos shows da antiga "Chute No Formigueiro" sabe do que estou falando.
Na guitarra um cara que ataca em várias frentes. Ângelo Possenti é surfista, filmaker, além de guitarrista. Possenti é outro aficcionado por rock e manda ver nos acordes. Foi fundador da extinta "Amostra Grátis", que tempos depois se transformou em "Amostra" e mais tarde passou a se chamar "Fishmen". A Fishmen circulou pelo cenário alternativo do sul do Brasil na década de 90 e foi matéria de várias revistas de surf. Em 1994 a banda abriu a temporada do WQS, fazendo show na entrega da premiação da ABRASP, no IAC - Imbituba Atletico Clube.
O baterista é um dos melhores do sul do país, sem falsa modéstia. Fabrício "Beca" (outro fundador da "Amostra Grátis" e da "Fishmen") já tocou em diversas bandas, já gravou com diversos músicos e continua na ativa quebrando tudo na batera.
O 2BSurf utilizando a interatividade, aproveitou o que o Ângelo frisou nos comentários do post: "Quero apenas acrescentar que o grande mentor musical deste projeto chama-se Edir Goulart(Lazarone/Guimbrothers), excelente músico, que apesar de novo, demonstra uma maturidade peculiar, dominando vários instrumentos, e uma queda incrível pelo Rock'n Roll, e do ótimo baixista Mário Sérgio, que ainda por cima quebra tudo nas artes gráficas dos trabalhos da banda. Acho que agora vai..., grande abraço! Angelo Possenti".
Não preciso dizer mais nada não é? Ouça no volume máximo...
É, a Zimba não tem apenas boas ondas, tem também boas bandas e músicos.
Aloha,
Beda Batista
A Vila quebrou de gala nas últimas semanas. Galera local fazendo a cabeça. Foto: Cida Barcelos.


Pedro Agrifóglio mostra que surf não têm idade. Com apenas 16 anos superou grandes feras do longboard catarinense e faturou a categoria Open. Foto: Site Pé no Bico.
Com um surf radical e fluído, Pedro Agrifóglio, de apenas 16 anos, faturou a principal categoria do evento, a Open. Pedrinho derrotou váiros surfistas experientes e de alto nível de toda Santa Catarina. Na grande final, Agrifóglio venceu os atletas Mauricio Pedreira (2º lugar), Lucas Soar (3º lugar) e Paulo Sefton (4º lugar).
A vitória rendeu um Longboard Gabriel Vicente e mais um super kit oferecido pela Gota Skate Surf Shop, bem como 1000 pontos e a liderança do circuito 2008. Além de vencer a categoria Open, Pedro Agrifóglio ainda chegou a final da categoria Junior, ficando com o 3º lugar.
Além do longboard do shaper Gabriel Vicente o evento entregou aos finalistas mas 3 blocos Darshan, 9 diárias na Pousada Fazenda Verde do Rosa, 36 Super kits da Gota Surf Shop e 36 troféus.

Fábio Carvalho, é um cara exemplar dentro e fora d'água. Nesta foto durante o Hang Loose Santa Catarina PRO 2007 sendo aclamado por uma multidão. Foto: Aleko Stergiou.
Fabinho quebrando a onda do Santinho para marcar 9,50 pontos e garantir mais um show de surf na carreira. Foto: Basílio Bosquê Ruy.
Se aquela onda “retside” não tivesse aparecido na regressiva da semifinal, a praia inteira não assistiria ao show proporcionado pelo “Galo de Imbituba”, um cara humilde, acessível e boa gente que faz dos vieses da vida o combustível para continuar lutando e surfando. No seu discurso emocionado no momento da premiação, confesso que chorei. Chorei por ver ali um guerreiro, um cara de um coração gigante que compartilhava com toda a equipe não apenas àquela vitória, mas uma carreira toda de superação de obstáculos seja por falta de patrocínio, por perda de pessoas das quais ele amava, e, acima de tudo, por ter que provar sempre que tem surf no pé.
Parabéns Fabinho, tu és o CARA.
Aloha,
Beda Batista
2B Surf
Equipe da ASI buscando o título estadual na última etapa do Billabong Surfing Games 2007. Praia do Santinho, Florianópolis (SC). Foto: Beda Batista/2B Surf.

Autêntica caranga do surf. Kombi/Casa pronta para qualquer aventura. Foto: Beda Batista/2B Surf.
Seria alucinante, não é mesmo?
Pois é, eu sei e tive pensamento idêntico!

Os canadenses Scott e Violeta Thumlert embarcaram na viagem dos sonhos. Foto: Beda Batista/2B Surf.
Eu os conheci na Praia da Vila, num fim-de-tarde. Uma Kombi amarela com placas do Chile me chamou atenção e puxei conversa com o casal. Embora a conversa seja um misto de Português (que eles aprenderam rápido, por sinal), Espanhol e Inglês nos entendemos perfeitamente bem. Surfamos juntos num fim-de-tarde de boas ondas na Vila. Depois do banho, os convidei para se hospedarem na minha casa e tomarem um bom banho quente. Imaginem, só banho de chuveirão na praia, ninguém é de ferro, né? Eles ficaram surpresos, mas aceitaram o convite. Jantamos, assistimos alguns vídeos de surf. Os presenteei com cartazes do WCT Brasil 2006 e 2007 além de um Surf Guia, publicado pelo Máurio Borges e pelo Basílio Bosquê Ruy, que certamente será uma mão na roda para eles que vão viajar ainda um bocado pela Terra Brasilis. minhas filhas ficaram amarradonas com a visita do casal e arranharam algumas palavras em inglês. Foi divertido e parece que eles curtiram também.
Beda, Scott, Luísa e Violeta relaxando depois do surf. Foto: Simone Batista/2B Surf.
Mas o que me fez escrever esse texto foi o simples fato de lembrar que estamos perdendo alguns dos maiores valores que o surf oferece. A camaradagem, a cordialidade, a gentileza e principalmente, a receptividade. Se continuarmos assim, seremos apenas uma tribo de trogloditas. Já ouvi de vários surfistas que são hoje meus camaradas, que não é comum você ser bem recebido em picos em que você não é conhecido. Mas se você que é local, não souber ser receptivo, como irá conhecer novas pessoas, culturas e adquirir um pouco mais de conhecimento de vida. Pense nisso.
Esse vídeo clip do WCT Brasil 2007 é uma produção local realizada pelo Angelo "Fishmen" Possenti. Angelo é meu parceiro na realização do DVD/Livro "VILA DO SURF" que conta e registra a história do surf de Imbituba e região. Além de ótimo surfista, Possenti é músico (dos bons) e como vocês podem conferir, pela qualidade das imagens e edição, não amarela atrás das câmeras e das ilhas de edição.
Eu estava aguardando o momento oportuno para postar este vídeo. O Gustavo - do Surf4ever - me instigou, elogiando o trabalho do "Galo" de Imbituba e acabei antecipando a publicação desse vídeo clip, que pode ser considerado um dos melhores da etapa brasileira do WCT 2007, o HANG LOOSE SANTA CATARINA PRO.
Aguardem, vêm muito mais por aí...
Aloha,
Beda Batista
2B Surf
Karissa Dalton e Mick Fanning, amarradões com a troca de alianças.
O site waves noticiou, no último dia 27.02, que a 9ª etapa do WCT - World Championship Tour, que está prevista para acontecer entre os dias 29 de setembro e 12 de outubro, na praia de Mundaka, em Bakio, na Espanha, pode não ser realizada em virtude da "incosistência das condições do mar no tradicional pico espanhol".
Ainda nesta matéria que noticia o fato, há uma informação de que a ASP se pronunciaria à respeito logo após a 1ª etapa do circuito, realizada em Snapper Rocks, o que não aconteceu.
Se é por falta de ondas, tudo bem. Afinal, o chamado dream tour ou "circuito dos sonhos" preza pelas melhores ondas. Mas será que não está havendo um erro de agendamento destas etapas no calendário da ASP? Com certeza, essa galera do vídeo não tem do que reclamar. E pelo que descobri no youtube, rolaram altas ondas em janeiro e fevereiro, ou seja, no inverno europeu.
Seria legal ver os melhores do mundo surfando algumas dessas ondas.
aloha,
Beda Batista
2B Surf
Praia do Rosa, em Imbituba (SC), recebe a 1ª etapa da Seletiva Petrobras de Surfe 2008. Foto: Beda Batista/2B Surf.
Fábio Gouveia foi o campeão do último evento realizado na Praia do Rosa, 1ª etapa do SuperSurf em 2005. Foto: Beda Batista.
Nédo é da velha geração de big riders locais. Foto: Site praiadavila.com.br
SNI preparando a viagem. Foto: site praiadavila.com.br
Quem não quer um expresso desses? Foto: Site praiadavila.com.br
Marcelinho "Seco" e Gariba dividem a esqueda na Vila. Foto: Site praiadavila.com.br
Ladeeeeeiiiiiraaaa! Nas fotos dois SNI´s fazendo a cabeça. Foto: Site praiadavila.com.br
As rampas da Vila podem intimidar quando funcionam de verdade. Nesta foto Heitor Alves descendo a ladeira durante o WCT Brasil 2007. Foto: ASP Cestari/Covered Images.