sexta-feira, maio 30, 2008

ASI realiza workshop

Icaro Cavalheiro ministra workshop em Imbituba, na 2ª etapa do Circuito Imbitubense. Foto: Site Inema.

A Associação de Surf de Imbituba realiza neste final de semana, dias 31 e primeiro de junho, a segunda etapa do Circuito Imbitubense de Surf Pro/Am 2008 na Praia da Vila. O circuito que recebe atletas de toda a região sul, além de surfistas de outros estados, contará com a ilustre presença do árbitro de surf do WCT - World Championship Tour, Icaro Cavalheiro, o qual vem agregar ainda mais valor ao circuito, atuando como Head Judge.
Icaro que há sete anos faz parte do quadro de árbitros da ASP (Associação de Surf Profissional) sendo um dos maiores nomes do julgamento de eventos do WCT e WQS está de férias das competições internacionais, aproveitando este período para repassar um pouco de sua experiência aos novos juízes locais e às associações de surf.
Na ocasião, o catarinense Cavalheiro realizará um workshop onde abordará vários temas relacionados às competições e julgamentos de maneira simples e direcionada à juízes, atletas e público em geral. O evento será realizado sábado, dia 31 de maio no Imbituba Praia Hotel a partir das 20:30h, a entrada será um quilo de alimento não perecível. Os alimentos arrecadados serão doados pela ASI à uma entidade carente (a definir) de Imbituba.
O workshop será realizado pela Associação de Surf de Imbituba e conta com o apoio do Imbituba Praia Hotel e da Rádio Cidade - 103.7 fm.
Beda Batista
2B Surf

sexta-feira, maio 23, 2008

O surf é um esporte caro...

Uma onda dessas merece um simples toco de terceira mão? Ou é preciso uma pranchinha ideal para se dar bem? Foto: Fonte desconhecida.

Quanto custa o esporte?

Essa pergunta não sai da minha cabeça há muito tempo. Estive pensando muito sobre o assunto e gostaria de compartilhar alguns pontos que são relevantes para poder explicar.
No entanto, gostaria de voltar uns 20 anos no tempo e lembrar de como as coisas eram quando eu comecei a surfar. Algumas pessoas se identificarão imediatamente com os fatos que apontarei, outras, mais novas, certamente acharão graça e não terão a mínima idéia de como as coisas eram realmente.
Lembro da primeira prancha que comprei, ah como ela era linda, uma prancha da Litoral Sul, nas cores amarela e laranja. Comprada de um amigo já falecido com pagamento parcelado em algumas vezes através de um compromisso de fio de bigode, embora, eu nem tivesse ao menos sinal de bigode, pois tinha apenas 13 anos de idade. Aquela prancha era a “minha” prancha que estava pagando com o meu esforço e suor. Porém a bendita precisava de uns reparos e como eu estava fissurado para entrar na água, acabei emprestando do cunhado de outro amigo uma Surfline quebrada e remendada no meio e tão pesada quanto uma bigorna. Aquela Surfline pintada de um vermelho tosco, a fim de esconder o enorme remendo, foi a primeira experiência que tive dentro do esporte e foi nela que dropei os primeiros caixotes que quebravam na Castelinho e Araçá. Foi com esse mesmo toco que peguei a primeira parede da vida, também no Castelinho. Naquela época roupa de borracha era coisa para poucos felizardos ou abastados. No máximo uma lycra para espantar o frio causado pelo gélido vento sul no auge do inverno. E podem ter certeza, foi uma época feliz, em que curtíamos uma longa caminhada pelo caminho da granja para chegar à Praia do Porto e aproveitar aqueles finais de semana frios dos anos 80. Quantas caronas de carroça nós ganhamos e ficávamos radiantes? Apesar da demora do bichinho que a tracionava, era uma maneira de economizarmos algum trocado, energia para o surfe e para a longa volta para casa. Algumas vezes arriscávamos uma pernada até a Praia D’água a fim de conferir as ondas que víamos marchando lá fora. Geralmente pegávamos altas ondas com no máximo 05 ou 06 cabeças na água.
Para arriscar um banho na Ribanceira, aí só mesmo de monareta, caloi-cross ou barra circular (quem podia, podia) que era a “power bike” da época.
Resumindo, surfar para um garoto de 13 anos, em qualquer um dos picos acima, era uma verdadeira aventura, sem contar o frio de rachar taquara verde.
Mas foi através dessas vivências que pudemos dar valor às pequenas coisas que íamos adquirindo com muito esforço e sacrifício. Lembro da minha primeira roupa de borracha que comprei do Walter “Tate” Pacheco, um long jonh preto com amarelo, que mais parecia uma carga de algodão, depois de molhar parecia pesar uma tonelada. O zíper estava detonado e precisava usar uma segurança para fechá-lo. Eu ficava rezando para aparecer alguém quando estava entrando e saindo da água para poder abrir ou fechar a maldita segurança.

Surf Trip de 1980 à Praia do Rosa. Não era qualquer um que podia se dar ao luxo de uma barca dessas. Foto: Frame de um Super 8mm. Ângelo Possenti.

Hoje, olhando e relembrando essas pequenas coisas tenho certeza que tudo aquilo e todas aquelas roubadas em que nos metíamos valeram a pena e foram um ótimo alicerce para o espírito e para o caráter de todos que as vivenciaram.
Nesses 20 anos muita coisa mudou dentro do surfe. O esporte foi reconhecido e se expandiu pelos quatro cantos do Brasil e do mundo, mas os produtos surfwear, apesar da grande massa consumidora, continuam com preços que beiram o inacreditável, para padrões brasileiros. O que em muitos casos impossibilita às novas gerações de se aventurarem no surfe.
Senão vejamos:
Uma prancha nova não sai por menos de R$ 600,00 (seiscentos reais);
Uma capa para prancha custa no mínimo R$ 100,00 (cem reais);
Uma cordinha custa em torno de R$ 70,00;
Uma roupa de borracha (long jonh) custa no mínimo R$ 400,00.

Ou seja, se um garoto hoje quiser se iniciar no mundo do esporte deverá desembolsar, vamos arredondar para facilitar as coisas, a pequena bagatela de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais). E gostaria de ressaltar ainda, que isto é apenas para praticar o esporte. Se o garoto quiser se vestir com a moda surfwear pode preparar o bolso, pois a fatura será muito mais alta. Parece pouco? Pergunte a qualquer garoto de 14 ou 15 anos se ele dispõe dessa quantia para investir inicialmente em um esporte.

Quiver de responsa. Quantos garotos podem ter um desses? Foto: ASP Tostee/Covered Images.
Enquanto no futebol qualquer moleque pode iniciar nos campos de várzea correndo descalço atrás de uma “pelota”, feita até de meias, no surfe a realidade é bem diferente. Claro, que há opções mais em conta, e dentro das inúmeras possibilidades, existem as pranchas e roupas de segunda mão. E essa, “infelizmente” é a realidade Brasileira. Começar com produtos de segunda ou terceira mãos.
Para mim a impressão que dá é que o mercado surfe brasileiro está trilhando um caminho contrário na busca do desenvolvimento de base, elitizando os praticantes através de preços que a grande maioria da população não pode pagar. A diversidade de marcas e produtos ao invés de baixar os preços nivelou-o por cima. Enquanto isso, na Austrália, que vive outra realidade econômica, a molecada continua praticando desde a infância o esporte número um do país, o surfe. E os preços estão dentro da real possibilidade de compra dos iniciantes, sem produtos de segunda ou terceira.
Enquanto isso, para nós, “canarinhos”, o surf é um esporte caro.
Aloha,

Beda Batista
2BSurf

quarta-feira, maio 14, 2008

É aí que mora o perigo...

Paulo Gracindo foi o melhor intérprete da classe política com o seu imortal "Odorico Paraguaçú". Foto: Reprodução.


Desde moleque sempre fui vidrado pelo surf. Lembro claramente de um dia de sol radiante, eu tinha uns 5 ou 6 anos de idade, mais ou menos, e meu pai me levou à praia. Meu pai não era muito de praia, acredito que por ser marinheiro ele não tinha muito saco pra andar na beira da praia. Mas, sempre que eu e minhas irmãs pedíamos ele nos levava. Eu, pelo contrário adorava o mar. Naquele dia a água era transparente, de um verde esmeralda lindo. No canto da Praia da Vila, eu mergulhava e nadava com alguns amigos. De repente vi um objeto que nunca tinha percebido no mar. Ela veio em minha direção deslizando sobre uma onda até a beira da praia. Não sabia bem o que era aquilo, mas fiquei impressionado com a visão. Era uma prancha verde, com as bordas amarelas. Fiquei vidrado nela. Peguei a prancha meio sem saber o que fazer. A poucos metros dali um galego cabeludo vinha nadando atrás da prancha. Quando levantou entreguei a prancha ao cabeludo e ele deu um sorriso, agradecendo em seguida. Dois anos depois conheci pessoalmente o cara, era o Cacá, um dos melhores surfistas que Imbituba já teve e é o falecido pai do Jatyr Berasaluce, outro ótimo surfista Imbitubense, que atualmente está quebrando no circuito europeu.
Jatyr Berasaluce entocado nas Maldivas. Semente do saudoso Cacá. Foto: Juan Fernández.
Daquele dia em diante passei a observar o movimento dos cabeludos dentro d'água, coisa que não percebia anteriormente. Naquela época não havia compromisso com nada, além de deslizar sobre as ondas. Somente 6 anos depois fui oficialmente apresentado ao surf. Com pranchas de isopor de alguns amigos, comecei a dar as minhas primeiras braçadas. A minha primeira prancha, que comprei com as minhas economias laborais - por ser de família humilde comecei a trabalhar aos oito anos e ao contrário do que hoje prega o direito da criança e do adolescente, não precisei parar de estudar, nem tampouco larguei os estudos, pelo contrário desde cedo tive a consciência do valor de cada coisa adquirida com suor do meu esforço - foi adquirida no verão de 1988. Era uma Litoral Sul, feita pelo Mézo, surfista e shaper de Imbituba, nas cores amarela e laranja. Era o meu sonho que se materializava. Antes disso já devorava tudo o que dissesse respeito ao surf. Revistas, encartes, fotos, adesivos (quem não tinha adesivos no vidro do quarto estava completamente por fora do movimento). Dessa forma, devorava tudo o que estivesse ligado ao surf. De lá para cá se passaram vinte anos, desde a minha primeira parede surfada no Castelinho, com uma surfline quebrada no meio e pintada de um vermelho tosco. Ninguém viu essa onda, eu estava sozinho na praia e a minha frustração foi tamanha. Afinal, até aquele dia eu dropava reto os caixotões do Castelinho e da Pedra Ferro. Mas, a felicidade foi tão grande em fazer a minha primeira parede que a frustração passou no caminho de casa. A partir daquele dia, me senti um surfista de verdade, no alto dos meus “treze anos”. E aquele espírito descompromissado de outrora ainda permeava o sonho de qualquer garoto, inclusive o meu.

Muita coisa aconteceu nesses vinte anos, não apenas na minha vida. Estudos, carreira, família, obrigações do dia-a-dia que o fazem esquecer até dos sonhos de moleque. Mas, dentro d'água nada disso importa, é só você e a prancha sintonizados com o mar. Não há meio termo, ou você está ligado naquele exato momento do "take off" que descortina um leque infinito de oportunidades, imaginação e curtição ou vai ficar boiando o banho todo.
O surf como um todo também sofreu mutações que podem ser atribuídas ao tempo e à tenra maturidade alcançada. O surf esporte que era tão marginalizado está atualmente nas revistas não especializadas, nos jornais, na televisão e na mídia em geral, sendo apresentado como um esporte saudável e, conseqüentemente praticado por cada vez mais pessoas de outros meios.
Ainda falta muito para o surf alcançar o status ideal, tanto como esporte, como meio de sobrevivência para os atletas, treinadores, árbitros de surf, enfim o pessoal que está diretamente ligado ao esporte. Mas, acredito que já enterramos parte daquele velho estigma de esporte de drogados e alienados. Já temos posições bem definidas sobre o que queremos. Muito embora, não tenhamos ainda nos unido de forma convincente para coibir inúmeras barbáries realizadas contra o meio-ambiente, especificamente, no que diz respeito ao ambiente marinho, no qual passamos a maior parte do tempo em busca da onda perfeita.
A sociedade parece que acordou e conseguiu visualizar a qualidade de vida que está ligada ao surf e o movimento financeiro que o surf pode realizar, seja através do turismo, da realização de eventos, e, principalmente, da indústria ligada ao esporte.
Já “somos” uma classe pensante (?) e em ano de eleição é bom ficarmos ligados nas “promessas salvadoras” de um futuro melhor apresentadas por pregos que aparecem nas praias, sujando de areia seus sapatos lustrados e molhando as barras das calças com água salgada. Os Odoricos Paraguaçús rondam também as praias, fazendo promessas como aquelas proferidas pelo prefeito de Sucupira.
É aí que mora o perigo...
aloha,
Beda Batista
2B Surf

sexta-feira, maio 09, 2008

Quebranbo a cabeça...

Malik Joyeaux num "imenso salão quebra crânio", em Teahupoo, Tahiti. Foto: XXL Billabong 2004.

Enquanto lá no Tahiti Mr. Slater e os top 44 esperam o swell para entrar na água, disputando o Billabong Pro Tahiti 2008, válido pela terceira etapa do circuito mundial, na temida bancada de Teahupoo - ou "Pico dos Crânios Quebrados" - por aqui a galera "quebra a cabeça" para saber se vai poder surfar.

Pois é, começou no último dia 1º e se estende até o dia 15 de julho a safra da Tainha.

Como todos os anos ocorriam, desde que os surfistas começaram a aparecer em número cada vez maior nas praias do litoral Sul Brasileiro, briga entre pescadores e surfistas, com diversas histórias surreais de verdadeiras praças, ou melhor, "praias de guerra", a FECASURF - Federação Catarinense de Surf resolveu desde o ano 2002 seguir o exemplo implantado em Imbituba em meados dos anos 90 e instituir o sistema de bandeiras.
O sistema de bandeiras garante tranquilidade para pescadores e surfistas no litoral catarinense. Foto: Beda Batista/2B Surf.

Dessa forma, ocorreu uma padronização nas praias catarinenses, respeitando o período de pesca desse peixe maravilhoso, que a maioria dos surfistas também gosta de saborear, na qual é utilizada bandeiras de duas cores. Branca e Azul. Quando você chegar em algum pico Catarinense e ver altas ondas rolando e ninguém na água, desconfie. Provavelmente estará hasteada a bandeira BRANCA, você não deve entrar na água ou converse antes com os pescadores locais para verificar se há a possibilidade de mudar a bandeira.

A bandeira AZUL indica surf livre, ou seja, está liberado para você cair na água e fazer a cabeça.

A ASI - Associação de Surf de Imbituba vêm utilizando o sistema de bandeiras na Praia da Vila há mais de 15 anos e desde a sua implantação o resultado foi o melhor possível. Contudo, na Praia da Vila, as cores são diferentes das utilizadas pela FECASURF. A Bandeira BRANCA indica SURF LIVRE. Enquanto a Bandeira VERMELHA indica NÃO SURF. Fique ligado para respeitar os pescadores e evitar problemas.
Você já viu muitas barcas de surf. Essa é a verdadeira barca da pesca. Foto: Beda Batista/2B Surf.
Lógico que sempre há o pessoal do contra, mas como diz aquele velho ditado do meio surfístico: "Respeite para ser respeitado".

E cá entre nós, depois de um bom surf, nada melhor do que reunir os amigos e fazer aquela Tainha escalada na brasa. Fala Sério...
Aloha,
Beda Batista
2B Surf

terça-feira, maio 06, 2008

Punk Rock da Zimba...

Nada melhor do que um bom rock'n'roll para pôr fogo na galera a caminho do surf.

A banda Tapa na Colméia que está com o primeiro trabalho saindo do forno, acaba de divulgar o primeiro vídeo independente. Essa galera do vídeo acima é nativa da Zimba e faz um punk rock irado e descontraído. A sonoridade lembra o Ramones, não por acaso. Gene Rocker vocalista da banda é aficcionado pelo estilo musical e um dos melhores intérpretes da banda. Quem assistiu aos shows da antiga "Chute No Formigueiro" sabe do que estou falando.

Na guitarra um cara que ataca em várias frentes. Ângelo Possenti é surfista, filmaker, além de guitarrista. Possenti é outro aficcionado por rock e manda ver nos acordes. Foi fundador da extinta "Amostra Grátis", que tempos depois se transformou em "Amostra" e mais tarde passou a se chamar "Fishmen". A Fishmen circulou pelo cenário alternativo do sul do Brasil na década de 90 e foi matéria de várias revistas de surf. Em 1994 a banda abriu a temporada do WQS, fazendo show na entrega da premiação da ABRASP, no IAC - Imbituba Atletico Clube.

O baterista é um dos melhores do sul do país, sem falsa modéstia. Fabrício "Beca" (outro fundador da "Amostra Grátis" e da "Fishmen") já tocou em diversas bandas, já gravou com diversos músicos e continua na ativa quebrando tudo na batera.

O 2BSurf utilizando a interatividade, aproveitou o que o Ângelo frisou nos comentários do post: "Quero apenas acrescentar que o grande mentor musical deste projeto chama-se Edir Goulart(Lazarone/Guimbrothers), excelente músico, que apesar de novo, demonstra uma maturidade peculiar, dominando vários instrumentos, e uma queda incrível pelo Rock'n Roll, e do ótimo baixista Mário Sérgio, que ainda por cima quebra tudo nas artes gráficas dos trabalhos da banda. Acho que agora vai..., grande abraço! Angelo Possenti".

Não preciso dizer mais nada não é? Ouça no volume máximo...

É, a Zimba não tem apenas boas ondas, tem também boas bandas e músicos.

Aloha,

Beda Batista

Altas ondas...

A Vila quebrou de gala nas últimas semanas. Galera local fazendo a cabeça. Foto: Cida Barcelos.

Depois de duas semanas de altas ondas, com direito a terremotos (que já rolam no Brasil há tempos, mas ninguém divulgava) e ciclone que rolou no último fim-de-semana aqui no sul do estado causando uma série de prejuízos em várias cidades, a galera que caminha sobre as ondas está até curtida de tanta água salgada.

Beda Batista aumentando a sua cota pessoal de felicidade. Foto: Cida Barcelos.

Realmente Netuno foi generoso nesses últimos quinze dias. Rolaram ondas por todo o litoral Catarinense e Brasileiro. Em Santa Catarina o que não faltou foi relato de ondas rolando de Norte a Sul. Da prainha à Vila, altas ondas foram surfadas, fotografadas e filmadas. Tem neguinho achando que o Hawaii é aqui. E se não é, tivemos uma pequena amostra de como é o dia-a-dia quando rolam as ondas de verdade. Quando o outside fica menos crowd e as gunzeiras saem da capa. Quando a galera das antigas cai na água e mostra o porquê da fama dos locais da Praia da Vila ir tão longe. Quando o simples fato de dropar uma onda da série sem se preocupar com tempo, sirenes ou notas é suficiente para te deixar com um sorriso de orelha a orelha estampado por alguns dias.
Katz Sullyvan botando pra baixo na Vilinha. Foto: Cida Barcelos.

Quando o mar sobe é que o bicho pega de verdade, e nesses dias, alguns entram na água e outros apenas observam. Respeitar o seu limite individual é saudável e pode poupar algumas dores de cabeça. Mas dropar a rainha do dia, completar o drop, fazer a linha da onda até o final e sair caminhando com a certeza da missão cumprida, realmente, NÃO TEM PREÇO.

Aloha,

Beda Batista
2B Surf

terça-feira, abril 29, 2008

Descendo a Ribanceira...

Cartaz da 1ª etapa do Circuito Imbitubense de Longboard 2008 da ASI. Foto: Reprodução.
A Praia da Ribanceira foi escolhida para receber o GOTA LONGBOARD CLASSIC, válido pela 1ª etapa do Circuito Imbitubense de Longboard 2008. O evento que estava previsto para ser realizado no dia 27 de abril, domingo, na Praia da Vila, foi transferido de praia, em virtude um swell que atingiu a Praia da Vila. Embora as ondas apresentassem um bom tamanho, 2,5 metros, o swell veio acompanhado de uma forte corrente prejudicando as condições do mar na Praia da Vila. Dessa forma, a decisão foi acertada e possibilitou mais um show dos pranchões de atletas de todo o estado, em onda de 1,5 metros na Praia da Ribanceira.

Pedro Agrifóglio mostra que surf não têm idade. Com apenas 16 anos superou grandes feras do longboard catarinense e faturou a categoria Open. Foto: Site Pé no Bico.

Com um surf radical e fluído, Pedro Agrifóglio, de apenas 16 anos, faturou a principal categoria do evento, a Open. Pedrinho derrotou váiros surfistas experientes e de alto nível de toda Santa Catarina. Na grande final, Agrifóglio venceu os atletas Mauricio Pedreira (2º lugar), Lucas Soar (3º lugar) e Paulo Sefton (4º lugar).
A vitória rendeu um Longboard Gabriel Vicente e mais um super kit oferecido pela Gota Skate Surf Shop, bem como 1000 pontos e a liderança do circuito 2008.
Além de vencer a categoria Open, Pedro Agrifóglio ainda chegou a final da categoria Junior, ficando com o 3º lugar.
Além do longboard do shaper Gabriel Vicente o evento entregou aos finalistas mas 3 blocos Darshan, 9 diárias na Pousada Fazenda Verde do Rosa, 36 Super kits da Gota Surf Shop e 36 troféus.

Parte do Staff do evento. Galera da ASI trabalhando sério para fazer o surf e o longboard crescer ainda mais. Foto: Site Pé no Bico.
A 1ª etapa do Circuito do Circuito Imbitubense de Longboard 2008 teve o patrocínio da GOTA SURF SHOP. Co-patrocinio: FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE IMBITUBA e BLOCOS DARSHAN. Apoio: Shaper Gabriel Vicente, Tática Informática, Pousada Fazenda Verde do Rosa, Skill – Inglês e Espanhol, Restaurante Marcão, Imbituba Praia Hotel, Pizzaria Pedra Ferro.
Cobertura: www.asimbituba.com.br, Jornal O Popular, Jornal Expresso Diário, Tribo Chimbumbal FM 89.3, Na Remada Rádio Cidade 103.7FM, Band Surfando com você, www.surfpro.com.br, www.penobico.com.br, www.deolhonomar.com.br, www.2bsurf.com.br; www.camerasurf.com.br, www.waves.com.br, Fishmen Video.
Realização: Associação de Surf de Imbituba. Supervisão: Fecasurf e Associação Catarinense de Longboard – ACL.

RESULTADOS:

Open Masc: 1.Pedro Agrifóglio / 2.Mauricio Pedreira / 3.Lucas Soar / 4.Paulo Sefton
Open Fem: 1.Isadora Costa / 2.Tania Candemil / 3.Roberta Costa / 4.Carolina Farina
Fem. Iniciante: 1.Julia Sperb / 2.Vanessa Martins / 3.Pina Sisson / 4.Guta Silva
Junior: 1.Caio Husadel / 2.José Luiz / 3.Pedro Agrifóglio / 4.Jean Pierre
Aspirante: 1.Paulo Agrifóglio / 2.Emanuel / 3.Lucas Soar / 4.Pedro Reynaud
Sênior: 1.Gabriel Vicente / 2.Hamilton Chocolate / 3.Mauricio Pedreira / 4.Jeremias Silva
Master: 1.Paulo Sefton / 2.Marcio Vilela / 3.Paulo Ricardo / 4.Claudio Ciampolini
Free Surf: 1.Leandro Elias / 2.Tony Anderson / 3.Rui Oliveira / 4.Leandro Haas
Local: 1.Anderson Suprema / 2.Edimar Junior / 3.Édio Oliveira / 4.Eugenio Santana

Beda Batista
2BSurf

quarta-feira, abril 23, 2008

Esporte Ingrato...

No último post falei sobre o vice-campeonato conquistado pela ASI no Circuito Catarinense de Associações de 2007, finalizado na Praia do Santinho, em Florianópolis, nos dia 04 e 05 de abril de 2008. Num protesto pessoal, resolvi não escrever enquanto estivesse puto da cara. Eu estava irado, não com o resultado do evento. Embora não tivéssemos conquistado o título, um vice-campeonato estadual entre 32 associações não é um resultado ruim. Mas da maneira como me senti lesado, por ter sido comunicado de algumas restrições em cima da hora. Águas passadas não movem moinho, então seguimos o curso das águas e estou aqui novamente falando mais uma vez da última etapa do Billabong Surfing Games, o Circuito Catarinense de Associações.
Quem esteve na praia no domingo, de sol e com altas ondas, presenciou um show de surf em todas as categorias, confirmando o alto nível competitivo dos atletas catarinenses, desde as categorias de base até os mestres da categoria homônima.
Naquele domingo depois da premiação estávamos na pousada fazendo um balanço dos erros e acertos que tivemos na última etapa e descontraindo antes de levantarmos acampamento da Ilha de Santa Catarina.
Conversando com Fábio Carvalho, que é sem sombra de dúvidas, o maior nome do surf Imbitubense até hoje. Conquistando diversos títulos: Campeão Catarinense Amador em todas as categorias em que competiu (Mirim, Júnior, Open; Bi-Campão Catarinense Profissional, Top 16 do Circuito Brasileiro e Catarinense, Campeão Imbitubense PRO-AM, Campeão Sul-Brasileiro Profissional, Campeão do 1º Desafio No Fear de Ondas Grandes, Representante Imbitubense no WCT Brasil 2007 e por aí vai.
Fábio Carvalho, é um cara exemplar dentro e fora d'água. Nesta foto durante o Hang Loose Santa Catarina PRO 2007 sendo aclamado por uma multidão. Foto: Aleko Stergiou.
Fabinho, como é carinhosamente conhecido pela galera do surf, é um cara iluminado. Dono de um carisma inigualável na principal surf city do sul do Brasil, o cara irradia uma luz própria que ofusca muita gente. Poderia ter sido facilmente um Top do Circuito Mundial, surf ele tem de sobra. Quem não lembra das seguidas escovadas do Fabinho no Neco Padaratz em vários campeonatos do Circuito Catarinense? Mas a vida dá voltas e nos prega muitas peças. Essas que o destino nos arma vez por outra. Quando estava despontando no cenário competitivo brasileiro sofreu uma grande perda pessoal que abalou a sua estrutura emocional e o fez abrir mão de viajar para ficar mais próximo de sua mãe e seus entes queridos. Alguns diriam que fez a escolha certa, outros não. Mas quem pode julgar ou não as decisões que tomamos em nossas vidas? Senão nós mesmos?
Certamente, as decisões tomadas por esse guerreiro Imbitubense foram as mais acertadas para ele como pessoa e não há ninguém que possa dizer o contrário.
Naquele domingo conversando com ele na pousada depois de assistir o maior show de surf apresentado no evento, disse à ele o quanto o surf é um esporte ingrato.
Deixa eu explicar:
O evento tem sua concepção em “Fast Heat” ou baterias rápidas. Nesse sentido, as baterias são de apenas 10 minutos e foi convencionado, entre os chefes de equipes e o head judge, no início da competição que poderiam ser surfadas até 3 ondas (normalmente são 2 ondas) mas somariam apenas as 2 melhores notas. Na semifinal, com quatro atletas, Fabinho precisava de 0,45 pontos para se classificar, atrás de Júnior Maciel, representante da Guarda do Embaú, deixando para trás Alessandro Castro, em terceiro e Carlos Santos, em quarto lugares, ambos representando a Joaquina e a Praia do Rosa, respectivamente.
Acontece que essa onda não veio, até a regressiva. Quando foi iniciada a contagem regressiva, Fabinho dropa reto numa espuma de dar dó e a bateria é encerrada. Eu tinha perdido as esperanças, quando foi anunciado pelo locutor “Fabinho Carvalho precisava de 0,45 e ele conseguiu....” A explosão de alegria foi imediata. Nosso guerreiro mais uma vez mostrou que não devemos desistir nunca. Mas a história estava apenas começando. Depois de encerradas as semifinais das outras categorias foram iniciadas as finais de todas as categorias. Mais uma vez Fábio Carvalho mostrou que um surfista não é feito apenas dentro d’água, mas que as ações praticadas em terra refletem no surf e nas oportunidades que se apresentam também nas competições.
Na bateria final Master Fabinho deu um show de surf. Aos 2 minutos da bateria Waldemar Wetter, o Bilo, abriu a bateria com uma nota 3,25. Em seguida Fabinho pegou uma onda da série e veio esculachando a bendita com o seu variado repertório de manobras até a beira, aonde completou um tubo seco para delírio de todos que assistiam a bateria. Nota 9,50 que merecia um 10. Junior Maciel pegou uma onda fechando e marcou 0,90. Nesse momento Fabinho voltava ao outside quando entrou outra série. Ele não titubeou e pegou a onda que David Husadel remou e não entrou. Novamente uma mostra genial de um surf altamente competitivo. Fabinho quebrou a onda até o inside, marcando 8 pontos e deixando os outros atletas em situação complicada. Fabinho voltou ao outside e pegou a próxima onda da série, novamente fazendo um tubo que não abriu como o primeiro, mas finalizando com uma porrada na junção em que muito marmanjo alisaria. Terceira onda nota 7,0 que entrou no descarte. Fabinho liquidou a fatura, fez a maior somatória do evento, 17,50 pontos, além da melhor onda da competição, um 9,50, deixando os outros atletas em combination. Ou seja, precisavam de uma onda extra para alcançar o velhinho. Em 5 minutos de bateria Fábio Carvalho mostrou o quão ingrato o surf pode ser.

Fabinho quebrando a onda do Santinho para marcar 9,50 pontos e garantir mais um show de surf na carreira. Foto: Basílio Bosquê Ruy.

Se aquela onda “retside” não tivesse aparecido na regressiva da semifinal, a praia inteira não assistiria ao show proporcionado pelo “Galo de Imbituba”, um cara humilde, acessível e boa gente que faz dos vieses da vida o combustível para continuar lutando e surfando. No seu discurso emocionado no momento da premiação, confesso que chorei. Chorei por ver ali um guerreiro, um cara de um coração gigante que compartilhava com toda a equipe não apenas àquela vitória, mas uma carreira toda de superação de obstáculos seja por falta de patrocínio, por perda de pessoas das quais ele amava, e, acima de tudo, por ter que provar sempre que tem surf no pé.
Parabéns Fabinho, tu és o CARA.

Aloha,

Beda Batista
2B Surf

terça-feira, abril 08, 2008

ASI é Vice-Campeã Estadual

Equipe da ASI buscando o título estadual na última etapa do Billabong Surfing Games 2007. Praia do Santinho, Florianópolis (SC). Foto: Beda Batista/2B Surf.

No último fim-de-semana rolou na Praia do Santinho, em Florianópolis, a 3ª e última etapa do Billabong Surfing Games 2007. O circuito que reúne as associações de surf do estado de Santa Catarina para um verdadeiro "jogo de surf", foi finalizado em 2008, devido ao cancelamento da etapa que aconteceria em dezembro de 2007.
As equipes uniformizadas e empunhando as bandeiras do município e da sua associação disputam oito categorias, na qual todos os atletas marcam pontos, independente de avançarem na competição, que são somados para definir a equipe campeã.

A ASI - Associação de Surf de Imbituba liderou o circuito até última etapa, vencendo a 1ª etapa em Laguna e ficando com o segundo lugar em São Francisco do Sul. Etapa vencida por Balneário Camboriú que pulou para a primeira posição com a ASI.

No entanto uma decisão da ABRASP, notificada pela FECASURF à ASI apenas 2 (dois) dias antes da última etapa, acabou prejudicando a equipe da ASI, que perdeu dois atletas importantes impedidos de competir na disputa do título de 2007 por se profissionalizarem em 2008. No meu entendimento os atletas deveriam ser liberados para disputa, por se tratar do circuito do ano anterior à profissionalização dos atletas. Segundo porque a comunicação da proibição foi realizada em cima da hora, com a equipe formada e treinada para disputa do título estadual. Mas, enfim, como afiliados acatamos mas não aceitamos as desculpas emanadas por diversos membros da FECASURF.
Equipe da ASI comemorando o vice-campeonato estadual na Praia do Santinho. Foto: Beda Batista/2B Surf.


De qualquer forma, a ASI mostrou o seu potencial e foi com tudo para disputa. Infelizmente algumas "baixas" durante a competição dificultaram o alcance do título. A ASI terminou em quarto lugar na etapa e com o vice-campeonato, repetindo o resultado de 2006. Mas, sem dúvidas, o maior valor e recompensa que tivemos foi o espírito de equipe, demonstrado pelos atletas e equipe técnica, durante todas as baterias disputadas, em que todos uniformizados foram para beira d'água torcer pelos companheiros. Isso demonstrou a união, a garra e a força de uma associação que vêm a cada ano se firmando entre as maiores e mais atuantes do estado.


Parabéns à todos os atletas, pais, equipe técnica, diretoria, associados, patrocinadores e apoiadores do Surf Imbitubense. Esse título também é de vocês.

Aloha,

Beda Batista
Chefe de Equipe da ASI
2B Surf

quinta-feira, março 27, 2008

Viajar é preciso...

Todo surfista que se preze já viajou ou planeja viajar em busca de ondas. Isso não é regra imposta nem se aprende em um guia prático de "como ser surfista", mas é, sem dúvida, um lema insconsciente que todo surfista carrega como bagagem de vida, desde garoto.


Imagine então, você largadão com a sua gata, motorizados com o mais autêntico "carro do surf", durante dois anos viajando por um continente, sem compromisso de horários, rotinas, chefes, burocracias, etc.

Autêntica caranga do surf. Kombi/Casa pronta para qualquer aventura. Foto: Beda Batista/2B Surf.

Seria alucinante, não é mesmo?

Pois é, eu sei e tive pensamento idêntico!

Na última quarta-feira, dia 19, conheci um casal que está vivendo o sonho de qualquer surfista. Scott e Violeta Thumlert são canadenses e estão viajando pela América do Sul há 2 meses. Iniciaram no surf há pouco mais de um ano e pretendem ficar mais um mês rodando pelo Brasil. Já passaram pelo Uruguai, Peru e Chile depois do Brasil viajam para Argentina, Chile e Bolívia. Embora tenham pouco tempo de surf, são fissurados como todos que aprendem a deslizar sobre as ondas.

Os canadenses Scott e Violeta Thumlert embarcaram na viagem dos sonhos. Foto: Beda Batista/2B Surf.

Eu os conheci na Praia da Vila, num fim-de-tarde. Uma Kombi amarela com placas do Chile me chamou atenção e puxei conversa com o casal. Embora a conversa seja um misto de Português (que eles aprenderam rápido, por sinal), Espanhol e Inglês nos entendemos perfeitamente bem. Surfamos juntos num fim-de-tarde de boas ondas na Vila. Depois do banho, os convidei para se hospedarem na minha casa e tomarem um bom banho quente. Imaginem, só banho de chuveirão na praia, ninguém é de ferro, né? Eles ficaram surpresos, mas aceitaram o convite. Jantamos, assistimos alguns vídeos de surf. Os presenteei com cartazes do WCT Brasil 2006 e 2007 além de um Surf Guia, publicado pelo Máurio Borges e pelo Basílio Bosquê Ruy, que certamente será uma mão na roda para eles que vão viajar ainda um bocado pela Terra Brasilis. minhas filhas ficaram amarradonas com a visita do casal e arranharam algumas palavras em inglês. Foi divertido e parece que eles curtiram também.

Beda, Scott, Luísa e Violeta relaxando depois do surf. Foto: Simone Batista/2B Surf.

Mas o que me fez escrever esse texto foi o simples fato de lembrar que estamos perdendo alguns dos maiores valores que o surf oferece. A camaradagem, a cordialidade, a gentileza e principalmente, a receptividade. Se continuarmos assim, seremos apenas uma tribo de trogloditas. Já ouvi de vários surfistas que são hoje meus camaradas, que não é comum você ser bem recebido em picos em que você não é conhecido. Mas se você que é local, não souber ser receptivo, como irá conhecer novas pessoas, culturas e adquirir um pouco mais de conhecimento de vida. Pense nisso.

Aloha,

Beda Batista
2B Surf

quarta-feira, março 19, 2008

Fishmen bota pra baixo...


Esse vídeo clip do WCT Brasil 2007 é uma produção local realizada pelo Angelo "Fishmen" Possenti. Angelo é meu parceiro na realização do DVD/Livro "VILA DO SURF" que conta e registra a história do surf de Imbituba e região. Além de ótimo surfista, Possenti é músico (dos bons) e como vocês podem conferir, pela qualidade das imagens e edição, não amarela atrás das câmeras e das ilhas de edição.
Eu estava aguardando o momento oportuno para postar este vídeo. O Gustavo - do Surf4ever - me instigou, elogiando o trabalho do "Galo" de Imbituba e acabei antecipando a publicação desse vídeo clip, que pode ser considerado um dos melhores da etapa brasileira do WCT 2007, o HANG LOOSE SANTA CATARINA PRO.
Aguardem, vêm muito mais por aí...

Aloha,

Beda Batista
2B Surf

terça-feira, março 18, 2008

Fanning amarradão...

Karissa Dalton e Mick Fanning, amarradões com a troca de alianças.
O aussie atual campeão mundial, Mick Fanning, acaba de subir ao altar e se amarrar de vez na modelo australiana Karissa Dalton. No último sábado o casal fez juras de amor eterno, em um clube de golfe, na Gold Coast australiana. Faltando algumas horas para começar o Rip Curl Pro, a segunda etapa do circuito mundial, na tradicional Bells Beach, o baixinho recém casado está louco para tocar o sino e faturar a etapa realizada por seu patrocinador. Mick Fanning entra na água na oitava bateria fazendo uma disputa caseira contra Adrian Buchan e Stuart Kennedy. Se levar a melhor no evento, Fanning garante a liderança do circuito deste ano, que por enquanto está nas mãos do norte-americano Kelly "Octa" Slater, além de uma forte comemoração com a patroa.

Beda Batista
2B Surf

Mundaka para poucos...


O site waves noticiou, no último dia 27.02, que a 9ª etapa do WCT - World Championship Tour, que está prevista para acontecer entre os dias 29 de setembro e 12 de outubro, na praia de Mundaka, em Bakio, na Espanha, pode não ser realizada em virtude da "incosistência das condições do mar no tradicional pico espanhol".
Ainda nesta matéria que noticia o fato, há uma informação de que a ASP se pronunciaria à respeito logo após a 1ª etapa do circuito, realizada em Snapper Rocks, o que não aconteceu.
Se é por falta de ondas, tudo bem. Afinal, o chamado dream tour ou "circuito dos sonhos" preza pelas melhores ondas. Mas será que não está havendo um erro de agendamento destas etapas no calendário da ASP? Com certeza, essa galera do vídeo não tem do que reclamar. E pelo que descobri no youtube, rolaram altas ondas em janeiro e fevereiro, ou seja, no inverno europeu.

Seria legal ver os melhores do mundo surfando algumas dessas ondas.

aloha,
Beda Batista
2B Surf

quinta-feira, março 13, 2008

Na Rosa do Surf...

Praia do Rosa, em Imbituba (SC), recebe a 1ª etapa da Seletiva Petrobras de Surfe 2008. Foto: Beda Batista/2B Surf.

Começa hoje e se estende até o dia 16 (domingo), na Praia do Rosa, em Imbituba (SC), a 1ª etapa da Seletiva Petrobras de Surfe Masculino 2008, o circuito de acesso à primeira divisão do surf profissional Brasileiro.

A Praia do Rosa que já foi uma rota alternativa de mochileiros e bichos-grilo nos anos setenta, se tornou internacional há pouco mais de uma década. Centenas de pousadas "pipocaram" na região que "ainda" guarda algumas das mais belas paisagens de Imbituba, embora já seja visível os sinais do "desenvolvimento", com muitas casas e pousadas tomando os promontórios daquele paraíso. Incluída em 2004 no "Clube das Baías Mais Belas do Mundo", a praia recebeu ano passado o encontro deste grupo que reúne inúmeras baías espalhadas ao redor do mundo.
Fábio Gouveia foi o campeão do último evento realizado na Praia do Rosa, 1ª etapa do SuperSurf em 2005. Foto: Beda Batista.

A Praia do Rosa já sediou grandes eventos de surf. No ano 2000 foi realizada uma etapa do WLT - World Longboard Tour, o circuito mundial de longboard da ASP. Em 2005 foi realizada a 1ª etapa do SuperSurf, na qual o paraibano Fábio Gouveia e a cearense Silvana Lima levaram a melhor, ganhando nas categorias masculino e feminino, respectivamente.

Sem dúvida, a praia é uma das mais belas do Brasil e merece o destaque que vêm recebendo. É muito legal fazer um evento num lugar paradisíaco. Muita badalação, mulheres belíssimas na areia, azaração, altas ondas rolando. Mas tudo isso passa, e rápido. O lixo e a degradação ambiental que podem vir agregados à eventos desta natureza ficam e podem marcar gerações. Por isso, é inevitável que ocorra uma conscientização ambiental, por parte de organizadores, população local, empresários e exploradores do turismo na região, para que não ocorra com este paraíso algo como ocorreu em Balneário Camboriú, apenas para citar um dos exemplos mais perversos de desenvolvimento turístico em Santa Catarina.

Aloha,

Beda Batista
2B Surf

quarta-feira, março 05, 2008

Briga de Cachorro Grande

Kelly Slater parece motivado para mais um ano no tour. Foto: ASP Kirstin / Covered Images.


Não é que o careca voltou ao topo do pódio?

O floridiano Robert Kelly Slater voltou ao topo do ranking, ao vencer o atual campeão mundial Mick Fanning, na primeira etapa do circuito mundial da ASP, o Quiksilver Pro, na Gold Coast Australiana. Enquanto Kelly e Mick passeiam pelos eventos a brasileirada vai apenas ganhando kilometragem. Quem sabe um dia, né? Voltando ao campeão.
Será que o fenômeno surfístico que já alcançou a incrível marca de oito títulos mundiais vai dar mais emoção ao tour desse ano e lutar pelo nono título?
Sinceramente espero que sim, como o meu amigo Máurio Borges afirmou no Alohapaziada, o cara parece fazer com que o ato de surfar pareça fácil, o que na verdade não é.

Que os antigos reis havaianos inspirem o careca e que ele bote fogo no tour...

Beda Batista
2b Surf

terça-feira, março 04, 2008

ASI dá a largada

Cartaz do evento. Foto: Reprodução.


A ASI - Associação de Surf de Imbituba abre o Circuito Imbitubense PRO-AM 2008 com a realização do Natural Art Eduardo Surf Shop Surf Contest, apresentado por Skull Surf Boards e Blocos Darshan, nos dias 29 e 30 de março, na praia da Vila.
O evento conta ainda com a realização da Okean Shoes Best Wave, com premiação para o surfista que marcar a maior pontuação em uma onda e, Xcel Wetsuits Espression Session, que oferece uma roupa na faixa para a melhor manobra.
Com o fortalecimento e sucesso do circuito de 2007, grandes marcas da surfwear nacional e internacional estão patrocinando os eventos como a South to South, Town & Country, Xcel Wetsuits, Dragon Optical e agora a Natural Art, que vem somar, para tornar esse evento promovido pela ASI, num grande acontecimento na região, impulsionando ainda mais o surf imbitubense.

Estarão em disputa 9 categorias: Espumeiro (até 10 anos), Infantil (até 12 anos), Iniciantes (até 14 anos), Mirim (até 16 anos), Junior (até 18 anos), Soul Surf (livre p/ Free Surf), Sênior (acima de 28 anos), Feminino (aberto), Pro/Am (aberto) além da Expression Session, para atletas inscritos no evento.

Na categoria PRO/AM o Campeão leva R$ 500,00 e 01 Prancha SKULL; o Vice-campeão: R$ 300,00; o 3º e 4º colocados recebem R$ 100,00 em dinheiro.

Para os campeões das demais categorias tem mais 4 pranchas SKULL e 2 blocos DARSHAN.
Os quatro primeiros colocados em cada categoria receberão kit’s e troféus.

As inscrições devem ser realizadas até o dia 27 de março (quinta-feira), as 16:00 horas, através de depósito na conta bancária da Associação de Surf de Imbituba (BESC – Ag. 0072 – CC. nº 014.578-3).
Após a realização do depósito o surfista deve confirmar sua inscrição até as 18 hs do dia 27 de março através: 1º) recibo de depósito pelo fone/fax: (48) 3255-2414, com nome e categoria que irá participar; ou 2º) entregue uma cópia do recibo de depósito, com nome e a categoria que participará, na Tática Informática (com Jander – fone: (48) 3255-1990 / 9965-5270) ou e-mail:
janderpc@terra.com.br.

VALOR DAS INSCRIÇÕES: Pro/Am (R$ 50,00), Espumeiro (R$ 30,00), e demais categorias (R$ 40,00). Atleta filiado tem 20% de desconto na inscrição.

Inscrições e informações pelo site WWW.ASIMBITUBA.COM.BR

Esta 1ª etapa do Circuito Imbitubense Pro/Am 2007 tem Patrocínio da Natural Art Surf Wear, Eduardo Skate Surf Shop e Prefeitura Municipal de Imbituba; Co-patrocínio da Skull SurfBoards, Xcell Wetsuits, Okean Shoes, Darshan Foam e Hot Line Surf Wear; Apoio da Fundação Municipal de Esportes (FME), Pizzaria Pedra Ferro, SKS Surf Wear, Manga Wax, Restaurante Marcão, Tática Informática, Skill Idiomas e Praia Hotel Imbituba; Cobertura e Divulgação: Jornal O Popular,
http://www.asimbituba.com.br/, http://www.deolhonomar.com.br/; http://www.surfpro.com.br/; http://www.2bsurf.blogspot.com/; http://www.praiadavila.com.br/; http://www.ondasdosul.com.br/; http://www.gosurf.com.br/; http://www.waves.com.br/; http://www.imbitubaonline.com/; http://www.camerasurf.com.br/; NA REMADA Boletim das ondas Cidade FM e Nas Ondas da Band AM 1010, Tribo Chimbumbal e Fishmen Vídeos, que produz os DVD’s das etapas. Realização: ASI – Associação de Surf de Imbituba. Supervisão: FECASURF.
Beda Batista
2BSurf

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Vila de Gala...

Gariba desembainhou a gun e pegou algumas como essa. Não se engane com a plasticidade da foto. A onda era rápida e a série não perdoava distrações. Foto: Site praiadavila.com.br

No último dia 13 de fevereiro, quarta-feira, a Praia da Vila quebrou de gala e fez a cabeça dos big riders de plantão. Depois de uma típica temporada de verão, sem ondas de verdade, a Vilinha mostrou as caras e recebeu um ótimo swell com ondas de 8 a 10 pés, fazendo a galera tirar das capas as gunzeiras e colocar na água os "brinquedinhos". Na água, a galera local botou pra baixo e mostrou mais uma vez que "santo de casa também faz milagres".
Diego "baia" é da nova geração de big riders Imbitubenses e mostra atitude na ladeira. Foto: Site praiadavila.com.br

Imbituba é uma verdadeira surf city desde a década de 70, quando aqui foi formada uma verdadeira tribo de surfitas que originários, na sua maioria, do eixo Rio-São Paulo fincaram pés por aqui até a instalação, da famigerada e já extinta, ICC-Indústria Carboquímica Catarinense, no final da mesma década.
Nédo é da velha geração de big riders locais. Foto: Site praiadavila.com.br

Apesar do ostracismo que a Zimba vivenciou durante os anos 80, a galera local já infectada pela adrenalina do surf, manteve a tradição de surfar grandes ondas desde àquela época.

Gariba em mais uma direita de responsa na Vila. Foto: Site praiadavila.com.br

O retorno de Imbituba no cenário do surf aconteceu com a realização do OP PRO Ecologic Competition, com uma magnífica visão empreendedora do Sidão Tenucci, dono da marca.
SNI preparando a viagem. Foto: site praiadavila.com.br

De lá pra cá, muitas ondas rolaram e a Vila firmou seu nome entre um dos melhores beach breaks do mundo recebendo desde 2003 a etapa brasileira do WCT Brasil.
Quem não quer um expresso desses? Foto: Site praiadavila.com.br
Dê uma conferida nas fotos e veja você mesmo o porquê de ser uma verdadeira "cidade do surf".
Marcelinho "Seco" e Gariba dividem a esqueda na Vila. Foto: Site praiadavila.com.br

Na Zimba a galera das antigas domina o pico nos dias de ondas grandes. Escrevi outro dia e alguém me questionou. Aqui volto a afirmar: Imbituba é uma das cidades que tem mais surfistas das antigas, com mais de 50 anos, na ativa, atualmente no Brasil. E quando o mar sobe a maioria deles pode ser encontrada no line- up dividindo as ondas com as novas gerações de surfistas locais. Nas fotos a galera local despenca nas "morras" da Vila e faz a cabeça num dos melhores mares dos últimos tempos. Alguns acidentes aconteceram, como é de se esperar quando as condições ficam extremas, mas nada que um outro swell não cure.
Ladeeeeeiiiiiraaaa! Nas fotos dois SNI´s fazendo a cabeça. Foto: Site praiadavila.com.br



aloha,
Beda Batista
2B Surf

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Sufoco na Vila...

As rampas da Vila podem intimidar quando funcionam de verdade. Nesta foto Heitor Alves descendo a ladeira durante o WCT Brasil 2007. Foto: ASP Cestari/Covered Images.


Na vida sempre nos deparamos com situações e fatos inusitados, no surfe o mesmo acontece. Quem nunca se deparou com uma cena, um momento ou uma situação inesperada? Muitas vezes, são bons momentos que queremos guardar para sempre na memória. Em outros casos, são situações tão ruins que queremos mesmo é esquecer. Embora, nem sempre tenhamos essa capacidade.
Uma das situações que mais me marcaram no surfe ocorreu numa manhã de Domingo, na Praia da Vila, em Imbituba. Era janeiro de 94, a temporada do circuito mundial seria aberta com o OP PRO, em Imbituba, sendo o primeiro evento válido pelo WQS. A expectativa entre a galera local era enorme, afinal, há muito tempo a cidade não sediava um evento de porte, apesar de proporcionar uma das maiores e mais constantes ondas do Brasil. Contudo, a “maldição” dos campeonatos se abateu sobre a Vila quatro dias antes do evento começar. Durante a semana anterior rolou um mar alucinante e perfeito de seis a oito pés. Porém, na semana do campeonato o forte vento nordeste (terral, mas que quando sopra forte apavora qualquer mortal) se abateu sobre Imbituba e o mar colou de tal forma que todos acreditavam se tratar de obra de algum “mandingueiro”.
Na sexta-feira dia 21, com um belo dia de sol, mas com ondas de, no máximo, meio metro, tudo indicava que a maldição se concretizaria. No sábado não foi diferente, o dia estava alucinante, mas as ondas estavam decepcionando à todos, em particular, à galera local. Já se ouviam críticas sobre a decisão de levar o campeonato para Imbituba naquela época (verão), que se fosse em tal lugar teria onda, que isso e aquilo. Porém, no final de tarde começou a soprar uma leve brisa de leste. Era o sinal que os nativos precisavam para gritar aos quatro ventos que a Vila iria quebrar.
Na noite de sábado rolou a entrega de prêmios realizada pela ABRASP, aos melhores de 93, nas dependências do Imbituba Atlético Clube. A noite foi forte, com muita gente bonita e a presença de vários top’s brasileiros. Naquela noite, ainda lembro que muita gente perguntava se iria ou não rolar as ondas. Quem era daqui, só tinha uma palavra: ALTAS. E não deu outra!
Minha irmã me acordou por volta das cinco e meia da manhã (como havia pedido) e fiquei naquela, vou ou não? A minha cama estava tão boa (algumas horas depois eu estaria pensando que deveria ter ficado). Resolvi não pensar muito. Levantei, agilizei as minhas coisas, peguei algumas sementes de guaraná e me joguei para a Praia. Quando saí de casa já senti a forte maresia. Dobrei a esquina da estrada que leva ao Araçá, roendo algumas sementes de guaraná, com a prancha debaixo do braço e a lycra na mão, correndo devagar. Quando me aproximei do trilho já ouvi as ondas estourando.
A visão que tive de cima do trilho foi indescritível. Linhas de seis ondas com paredões enormes marchavam em direção à praia. O outside do Castelinho estava uns trezentos metros mais atrás do que o habitual. Para surfar no Araçá, só de jet-ski (na época nem existia tow-in por aqui).
Tomei o rumo do centro, costeando a Lagoa da Bomba, roendo meus guaranás. Passei na casa de um amigo, o Katz, para acordá-lo. Ele levantou com uma cara mais amassada que camisa em fim de festa. Botei a maior pilha, tomamos uma vitamina e nos jogamos para o Canto. Seguimos pela rua do barraco e quando chegamos já havia uma galera dentro d’água.
As ondas estavam quebrando lá fora, quase atrás da ilha (Santana de Dentro). A ondulação de leste fazia com que as esquerdas se tornassem quilométricas terminando quase no Jangadeiro. As direitas eram apenas um drop e já enroscavam no canal. Entramos no canal Eu, o Katz e o Dálmata. Eram seis e meia da manhã. Estávamos em alto astral, e da praia as ondas pareciam menores do que realmente estavam. O mar estava meio storm e balançado. A forte corrente do canal nos largou debaixo do pico rapidamente.
Na água vários profissionais estavam treinando antes do início do campeonato, que tinha previsão de iniciar às nove horas. Entre eles, lembro do Wagner Pupo que pegou uma esquerda animal, do Tadeu Pereira (que foi o campeão da etapa) e do Paulinho Matos (na época conhecido como Paulinho do Tombo). Logo entrou a série e aí sim tivemos a noção do tamanho do mar. A série entrou lá atrás com 10 pés sólidos, pesados e impiedosos. Quase levei na cabeça, pois o movimento de água era tamanho e a corrente tão forte que nos levava para o meio da praia. O Dálmata, com uma 7’6 despencou ladeira abaixo com o lip e tudo e completou o drop numa direita enorme, alguns metros abaixo vi a prancha dando “tchau” e o cara ressurge depois de algum tempo dando risada e dizendo: “Pô foi o maior caldão!”.
Eu e o Katz ficamos nas intermediárias, que tinham uns 6 pés, pois não tínhamos prancha para aquele mar. Peguei uma direita que morreu no canal e estava voltando quando entrou uma série ainda mais atrás. Remei junto com toda a galera para próximo da ilha tentando escapar do caldo. A série apontou com um direitão que quebrou bem na minha frente. Quando estava furando a onda segurei firme a prancha para não perdê-la e ter que sair nadando daquele mar, que parecia uma máquina de lavar gigante. Quando estava bem embaixo da onda senti um forte tranco no braço direito e uma dor terrível, imediatamente, perdi por completo a força no braço.
Emergi, tomei ar e sai nadando com apenas um braço em direção ao restante da série. Furei cinco ondas, nadando e mergulhando. Gritei e acenei para a galera que estava à minha frente, mas o barulho que as ondas faziam na bancada silenciavam meus gritos. Um filme começou a passar rapidamente na minha cabeça. Instantaneamente, vi cenas da minha vida que há muito eu tinha esquecido, pessoas queridas e lugares que conheci me voltaram à memória. Pensei: “Acho que vou morrer, é isso que acontece quando a gente vai morrer. Relembramos tudo que vivemos”.
Tudo isso aconteceu muito rápido e continuei gritando. Outra série apontou e ninguém me via ou ouvia. De repente o Paulo Sefton (surfista das antigas e desbravador de várias praias do Sul do Brasil), que estava mais à frente virou-se e me avistou. Varei outra série, nadando e mergulhando. O Sefton, veio em minha direção e perguntou o que tinha acontecido. Eu disse: “Acho que quebrei o braço. Cara, preciso que tu me ajude a sair daqui”. O Sefton tentou me tranqüilizar, dizendo: “Fica frio que a gente vai sair”.
Graças a Deus, eu não tinha perdido a prancha e a cordinha agüentou o tranco. Puxei a prancha, deitei com o peito na parte de trás, puxei meu braço direito, que não respondia a nenhum movimento, e o Sefton me empurrou numa onda da série, remei com todas as forças que tinha e me grudei na prancha como pude com o braço esquerdo. A onda era tão forte que quase me virou no drop, tive que jogar todo o peso para trás para evitar que a prancha embicasse. Peguei uma esquerda e fui parar quase no meio da Praia. O Sefton veio na onda de trás e me ajudou novamente a pegar outra onda.
Saí da água e lembro do Caluta (juiz de surfe local) e do David Husadel (na época presidente da Abrasp) vindo ver o que havia acontecido. Em seguida, chegaram os paramédicos que me encaminharam ao hospital. Chegando lá, é que entendi o que havia acontecido e como estava feio o negócio. Sofri uma luxação no ombro, em função do impacto da espuma da onda (aquilo era um turbilhão). Meu braço ficou pendurado e rompi alguns ligamentos. Tiveram que chamar o “Urso” médico anestesista, que também estava dentro d’água, e o ortopedista, para poder colocar o braço no lugar. Esperei duas horas até o ortopedista chegar, a enfermeira queria me dar um remédio para dor e disse que eu esperaria até o outro dia, a não ser que o atendimento fosse particular. Eu disse: - Moça até para respirar dói, você acha que eu vou esperar até amanhã? Faz particular mesmo!
Todo o respeito que já tinha pela Vila e pela vida foram redobrados. Naquela manhã, entendi que o surfe é muito mais do que pegar onda. É estar preparado para situações de risco e de sufoco. Sobretudo, é estar preparado para ajudar alguém quando necessário.
Obrigado Paulo Sefton, e obrigado meu Deus, por colocá-lo no lugar certo, na hora certa.

P.S. Conversando com o Sefton no dia seguinte, quando fui lhe agradecer, pessoalmente, por ter salvo a minha vida, ele contou que não me ouviu gritando e que não sabe porque olhou para trás naquele exato momento. Só posso crer que os desígnios Divinos são providenciais.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Blocos e Churrasco...

Premiação para ninguém botar defeito. Trabalho sério realizado pela ASI. Foto: Divulgação ASI


A ASI - Associação de Surf de Imbituba entregará neste final de semana aos atletas filiados no ano de 2007, a premiação final dos Circuitos Imbitubense de Surf PRO-AM e Imbitubense de Longboard. A entrega acontecerá na PRAIA DA VILA, em Imbituba, SC, à partir das 11:00 horas da manhã, no próximo domingo, dia 10 de fevereiro.
A programação inicia às 11:00 horas, com a ENTREGA DA PREMIAÇÃO e logo após alguns patrocinadores juntamente com a ASI, estarão oferecendo um churrasco no canto da Praia da Vila, para os associados em dia com sua filiação. Serão entregues Blocos VI Kona Blanks aos "ATLETAS FILIADOS" que ficaram entre os quatro primeiros colocados em cada categoria. Para as 9 categorias do Circuito Imbitubense Pro-am 2007 serão entregues 36 blocos de pranchas; e para as 7 categorias do Circuito Imbitubense de Longboard 2007 serão entregues 28 blocos de longboard.
Na ocasião, também serão homenageados os PATROCINADORES e APOIADORES do Circuito de 2007.


Parabéns aos atletas, à diretoria e, principalmente, aos patrocinadores que fazem os circuitos locais acontecerem.


aloha,

Beda Batista
2b Surf

Em evidência

Depois de um feriadão anormal pelo bom tempo inesperado, voltamos a postar e à vida normal de vivente da terra brasilis.
E para quem teve que pegar a estrada depois desse feriado a atitude deve ter sido idêntica a dropar uma bomba em Waimea, tamanho estrago nas estradas, principalmente a conhecida BR 101, também chamada de rodovia da morte, não sem motivos.

Rodovias em estado deplorável. Até quando conviveremos com isto? Foto: Revista Caminhoneiro

É uma verdadeira vergonha o que os sucessivos governos deixaram acontecer com esta estrada, em que circulam milhares de veículos diariamente. Santa Catarina novamente encabeçou, atrás apenas de Minas Gerais, uma lastimável lista de mortes nas estradas, com 19 mortes. É muita gente! O péssimo estado das rodovias aliada à imprudência dos motoristas transforma a tarefa de dirigir num ato de bravura. Depois das chuvas que castigaram o estado na semana que antecedeu o carnaval a situação ficou ainda mais insustentável. E o tamanho das crateras que estão por toda extensão da rodovia é um verdadeiro crime do estado contra a população. Esse é mais um reflexo do descaso dos políticos com os eleitores que os elegem para "trabalhar em prol deles mesmos".

Ainda assim, Santa Catarina foi escolhida em 2007 como o Melhor Destino Turístico no prêmio anual concedido pela revista Viagem e Turismo, da Editora Abril.

Rosa sul, cenário surreal. Mas, até quando? Foto: Arquivo Beda Batista

Nesse cenário Imbituba foi apontada como a 5ª cidade mais procurada no estado pelos turistas. Além disso, a cidade foi a que mais realizou eventos internacionais no ano passado, além do WCT Brasil, aconteceram uma etapa do mundial de windsurf e kitesurf, a conferência internacional das baias mais belas do mundo, em que a baia da Praia do Rosa está incluída desde 2005, e ainda um encontro internacional dos operadores de avistagens de baleias.

Resta agora uma verdadeira estruturação para atender toda a demanda que converge para Imbituba, principalmente, com a duplicação do trecho sul da BR 101.
Parece que a Zimba é a bola da vez, agora depende de todos nós surfistas ou não que o crescimento seja ordenado e verdadeiramente sustentável, para não amargarmos como alguns balneários catarinenses.

E essa é uma tarefa árdua...

aloha,

Beda Batista
2B Surf